Eu não faço a menor idéia do que quero da vida. Mentira, sei sim. Quero escrever.
Um professor da faculdade me disse que eu não sei escrever. O outro, que eu escrevo bem demais, fica até difícil corrigir se eu encaixo tão bem as palavras e acabo não sendo explicativa - ele me perguntou se eu vou ser jornalista em veículo impresso. Fiz uma prova e minha redação teve uma nota bem baixa. Na faculdade, já deve ser a terceira vez em três períodos que a minha redação merece ponto extra na minha média por ser das melhores. No meu antigo estágio, um lugar com todos mais experientes do que eu, quem redigia textos e cartas? Eu. Tarefa de estagiário faz-tudo, sempre pensei. Tenho uma coluna semanal nesse site e não foi uma vez só que fui chamada para escrever em outro veículo também.
Minha mãe acredita que meu sonho de ser escritora se realize numa faculdade de letras, porém o teste vocacional aponta para o jornalismo. O teste, e quase 98% das pessoas que me conhecem ou lêem o que eu escrevo. Eu? Já nem sei mais. Professores acham que estou na carreira certa, sem dúvida. Mas e a dúvida clara de outros mestres, que apostam no meu fracasso, na minha ausência de talento no ramo? Essas coisas todas estavam me deixando louca, e foi preciso uma tarde na praia, a leitura de um livro quase todo pras que essas idéias tomassem um formato diferente do tormento que tantas noites de insônia têm me causado.
Eu não faço a menor idéia do que quero da vida. Mentira, sei sim. Quero escrever. Ler muito, aprender o máximo que puder, conhecer, perguntar, e escrever tudo depois, pra que muito mais gente possa ter acesso a tudo isso também. Como? Não sei. Livros, sites, textos, poesias, palestras, estou aberta a possibilidades. Música eu até concordo se for pra escrever a letra, porque cantar meus ouvidos já disseram que não dá. Eu quero é conhecer, e fazer com que conheçam. Saber, e passar adiante. Não como professores que ensinam conteúdo, eu quero passar idéias. Existe faculdade pra isso?